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Imprensa - Notícias

Postos se transformam em centros de serviços

Data: 24/07/2008
Fonte: Portal DCI


SÃO PAULO - As distribuidoras de combustíveis estão oferecendo cada vez mais serviços e buscando novas parcerias, além de já procurarem terrenos maiores para abrirem novos postos. A tendência é de que cada vez mais unidades se tornem verdadeiros centros de conveniência, não só com lanchonetes e lojas de conveniência, mas farmácias, locadoras, lotéricas e até agências bancárias. Este modelo, segundo distribuidoras como Ipiranga, BR Distribuidora, Chevron e AleSat, é uma forma de maximizar o faturamento por metro quadrado, porque os terrenos, principalmente em grandes cidades, são caríssimos. Para algumas, esse tipo de posto chega a ter receita até 30% maior do que a de um posto tradicional.
Essa é a estratégia da BR Distribuidora, empresa da Petrobras, que adquiriu recentemente o grupo Ipiranga, junto com o grupo Ultra e a Braskem, e teria interesse em adquirir postos Texaco, da Chevron do Brasil. A empresa afirma que este ano está reestruturando sua rede postos e já identificou 300 unidades que têm a possibilidade serem reformadas e terem seus espaços melhor aproveitados, já que essa estratégia agrega mais valor ao negócio.

"Hoje, fazer um posto em uma cidade grande é tão caro que precisamos vender outras coisas. Tínhamos um posto na Avenida Paulista, por exemplo, que tivemos de fechar. Temos de maximizar o resultado por metro quadrado e, com outras lojas, a rentabilidade do posto aumenta consideravelmente", explicou Edmário Oliveira Machado, diretor da rede de postos e serviços da BR Distribuidora. Os investimentos nas melhorias dos postos ficam a cargo do próprio dono do local, mas a BR também está apostando mais na melhoria da rede este ano e deve investir de 10% a 15% a mais do que no ano passado.

O diretor ainda destaca que a concorrência é outro fator que leva os postos a reformarem e buscarem novidades. Para ele, os postos que sobreviverão só da venda de combustíveis são aqueles localizados em regiões de grande movimento.

A Chevron do Brasil, dona de 2 mil postos Texaco no País, confirma que o modelo que cria centros de serviços é uma tendência, principalmente para geração de fluxo de pessoas nos postos, que se transformam opções para o consumidor comprar outros ítens, senão combustíveis. Segundo José Conzola, diretor de Marketing da Chevron do Brasil, todos os 70 postos que a rede deve abrir esse ano deverão ter esse perfil.

A Chevron tem aberto em média 70 unidades por ano e neste ano já inaugurou 22, priorizando os mercados do Estado de São Paulo e do Rio Grande do Sul. Além disso, reforma cerca de 10% dos postos por ano. "Agora já procuramos terrenos com pelo menos o dobro do tamanho, acima de 2 mil metros quadrados; antes, eles possuíam, em média, 900 metros quadrados", diz o diretor.

Hoje, pelo menos 50% do total das unidades da rede oferecem algum tipo de serviço e 8% são centros comerciais, com área maior para estacionamento, números que devem crescer. O executivo explica que em função dos preços elevados dos terrenos é preciso alugar os espaços e trazer outras redes para viabilizar o negócio, sejam elas bancos, lanchonetes, lotéricas ou outros tipos de comércio. "Não é em todas as áreas do Brasil que podemos fazer isso, mas, onde há espaço, é uma tendência de mercado colocar o máximo possível de serviços", afirmou ao DCI.

Por sua vez, a Ipiranga estima que as vendas e o fluxo dos postos que têm mais serviços sejam 30% maiores do que um posto tradicional. Dos seus 4.200 postos, 700 oferecem lojas de conveniência e 400 possuem outras lojas em anexo.

Segundo André de Stéfani, gerente de Marketing e Produtos Financeiros da Ipiranga, a rede procura negociar parcerias nacionais com diversas redes e também são cada vez mais procurados por empresas interessadas em abrir unidades ao lado dos postos. Atualmente, a rede possui parcerias com Droga Raia, Localiza, Pizza Hut, Subway, HSBC e Santander, entre outras.

O gerente destaca que esses postos são mais lucrativos por aproveitarem o fluxo e que são uma oportunidade de maximizar o uso dos terrenos. Ainda, são uma forma de trazer uma receita adicional, já que os espaços são alugados. "O motivo principal não é a receita, mas a estratégia de oferecer ao consumidor mais serviços e de fidelizá-lo, aproveitando uma área física. É como acontece nos shoppings: o cliente passa a encontrar tudo em um mesmo local, de fácil acesso e com mais segurança", disse Stéfani.

Reestruturação

Outra distribuidora que está se reestruturando e trazendo novidades é a Alesat, que está crescendo fortemente e deve abrir 240 novos postos este ano, mais que o dobro do ano passado, além de ter meta de chegar 2 mil postos até 2012.

A rede está com um plano piloto, na cidade de Belo Horizonte, de instalar até televisores de plasma nos postos, que terão uma programação com conteúdo informativo e dicas para os consumidores que estão abastecendo seus carros.

Segundo a rede, a ação é pioneira e pode ser estendida para os seus outros 1.200 postos, além de poder ser uma forma de obter uma renda adicional, com a venda de espaços na programação para anúncios.

De acordo com Marcelo Alecrim, presidente da Alesat, a rede também deve lançar novos produtos e serviços financeiros, que vão do cartão de crédito da rede a ofertas de crédito e seguros.

A companhia já criou uma nova empresa, a Alecred, que será a responsável pelo serviço, e prevê os lançamentos na feira Postos & Conveniência 2008, que deve ocorrer em outubro na cidade de Natal (RN).


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